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Publicado em 07/07/2017 às 12h13
De outros carnavais


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

A droga adoece em muitos sentidos a sociedade. Cobra alto custo público, ceifa irremediavelmente o futuro dos jovens e enluta famílias em todas as classes sociais. Assim, participar da diligência de incineração foi motivo de marcante júbilo.

A maconha queimou noutro forno, por método igual ao descrito no texto da semana passada. O efeito da erva maldita ao fogo, contudo, foi bem distinto do produzido pela cocaína: um crepitar plácido semelhante à queima dos monturos de folhas secas no outono.

A fogueira controlada motivou outros personagens a cederem à tentação de jogar os tabletes ao fogo, malgrado os veementes protestos do experiente investigador de toca ninja que cortava os sacos com faca do Rambo. Com o forno industrial muito quente e a droga muito suja, preferi só manter a postura de observador. Já o escrivão Roberto queimou os pelinhos do braço e exalava um perfume de pele assada de frango. O infortúnio do perito João foi ainda pior, saiu com a ponta do cavanhaque esturricada.

Uma onda de silencioso relaxamento tomou conta do ambiente. Graças à hermética vedação, do forno não saía aquele forte odor de maconha que presenciamos livremente à noite ao redor dos galpões do Pátio dos Trilhos.

Minha mente viajou até a margem direita do córrego do Turi, cuja mata ciliar foi completamente devastada pelos tratores, da Avenida Edouard Six até a foz que desemboca no Rio Paraíba, sem respeitar os protegidos 15 metros. Escombros de carros alegóricos foram também depositados junto à ponte daquela via. Quando o orçamento municipal permitir a volta dos desfiles carnavalescos, justo seria determinar às escolas de samba que após deixem o lixo no LEV e não na rua, afinal recebem generosa soma pública para participar do evento.

Terminada a incineração, saímos da fábrica e avistamos a fumaça negra da cocaína e a cinza da maconha saindo por chaminés distintas. O dono da cerâmica, um velho conhecido de outros carnavais, queria falar conosco.  O delegado agradeceu a colaboração da empresa e eu a aula de conhecimentos gerais, pois há profissão tão antiga quanto à das vulgívagas – a de ceramista.

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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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