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Publicado em 05/05/2017 às 10h23
Florence: uma mulher


RODRIGO ROMERO

Florence Foster Jenkins foi uma mulher singular. De pais ricos, herdou a fortuna e nunca teve crises na vida. Resolveu em certo momento contribuir às artes. Amparou financeiramente cantores, atores e diretores. Não bastasse, lançou-se, ela mesmo, a uma carreira de cantora lírica. E que carreira! Seu apelido nos bastidores era ‘A Diva do Grito’.

Sequer chegava perto de atingir a nota musical correta. A posição era básica: Florence achava ser uma celebridade dos palcos, quando na verdade era muito bem paparicada por dezenas de puxa-sacos, interessados somente em sua bufunfa. A história virou o filme protagonizado por nada menos do que Meryl Streep. Por causa da interpretação, a atriz chegou à sua vigésima indicação ao Oscar em 2016. Inacreditável!

E não se trata de exageros dos julgadores. De fato, ela conduz o longa como se deve: impõe logo de cara seu ritmo e tem sob controle a câmera. Dirigido por Stephen Frears (dos ótimos ‘Ligações Perigosas’, 1988, ‘Philomena’, 2013) e roteirizada por Nicholas Martin, estreante, ‘Florence’ (2016) é o típico filme-escada, que serve pra fazer brilhar a protagonista. Aí você diz: a personagem principal fulgura mesmo. Depende.

No caso aqui, Meryl está apaixonante na pele duma mulher repulsiva no setor talentoso da coisa. Fecha-se na tristeza quando o instante pede, e, num rompante, explode na emoção de berrar de maneira ultradesafinada. Hugh Grant é o marido Bayfield. Mais novo, é refinado, elegante como um lorde inglês. Mas sem aguentar a dama, a trai quase diariamente. Um acordo de cavalheiros, pode-se afirmar. Bayfield acarinha sua esposa. Em contrapartida, esta lhe paga o aluguel.

Beira a caricatura. Talvez a intenção fosse isso. O lado bom fica com o ator Simon Helberg, o ‘maestro’ Cosme. Com seu rosto marcante e hilário, faz a fita ter momentos de riso. Há gravações disponíveis no Youtube das apresentações de Florence, caso você queira avaliar se o cinema lhe deu o devido valor.

Em 2009, Marília Pêra interpretou-a no palco do teatro, numa peça chamada ‘Gloriosa’. Nas amarrações finais, cumpre o papel de entreter, ainda que como filme esteja longe de contribuir com a história do cinema. Meryl Streep, parece, ligou o seu modo automático, entrou no set, gravou e foi embora. Ponto final.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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