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Publicado em 10/03/2017 às 10h14
Guerra de Mel


RODRIGO ROMERO

O Oscar 2017 foi recheado de longas-metragens baseados em fatos reais. Um deles foi ‘Até o Último Homem’. A história do soldado adventista do sétimo dia Desmond Doss foi contada com pulso firme pelo diretor Mel Gibson, especializado em fitas no sentido mais bélico. Doss, sem pegar em armas (a sua religião não permitia), ajudou a resgatar dezenas de combatentes da Segunda Guerra Mundial.

A floreada dada por Gibson à trama não impediu o filme de rastrear elogios por seu tom apocalíptico e as cenas de guerra muito bem trabalhadas pela produção, com situações à beira do real. Até por isso levou as estatuetas de edição e edição de som. Porém, apesar de ‘Até o Último Homem’ se importar e nos revelar esta brava condição de Doss, há derrapagens, sobretudo nas costuras, no roteiro.

Andrew Garfield (‘A Rede Social’, ‘O Espetacular Homem-Aranha’), na pele de Doss, mostra ser um ator bem mediano. Gibson força a barra com ele em determinadas situações e resvala no dramalhão quando as cenas envolvem, por exemplo, o patriarca dos Doss, Tom (Hugo Weaving).

É curioso notar este caso nos trabalhos do cineasta: a preocupação excessiva em se esmerar nas sequências de confronto (vide ‘Coração Valente’ e ‘A Paixão de Cristo’), com superproduções e requintes na direção de arte, e quase nada sobrar para as atuações (a exceção é o próprio Gibson protagonista de ‘Coração Valente’). Nada fica de graça e inapelável nesta película. Foi, sem dúvida, ao lado de ‘La La Land’, a das mais fracas na corrida pelos troféus. Ganhou o que tinha de ganhar. Há pessoas que ficam reticentes em assistir trabalhos deste naipe.

E existe certa saturação em blockeds cujo pano de fundo seja a Segunda Guerra (somente no Oscar 2017 tivemos, além de ‘Até o Último Homem’, mais dois: ‘Aliados’, com Brad Pitt, e ‘Terras de Minas’, dinamarquês, na categoria filme estrangeiro). Disseram que Gibson foi perdoado pela Academia de Artes. Bobagem. Ele pode ter criticado e xingado os membros da instituição, mas a pena para isto não foi importante.

O sessentão obteve fama por fitas que desmerecem galardões. É o nosso eterno Mad Max, misturado com o Martin Riggs de ‘Máquina Mortífera’, ou seja, o profissional que tem a década de 1980 cravada na pele.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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