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Publicado em 03/03/2017 às 09h45
Oscar com gelo


RODRIGO ROMERO

O perigo de o Oscar se tornar uma festa chata e fria é veemente e crível, acima de tudo. O evento de 2017 foi desastrado, e não apenas pela confusão tola e infantil do anúncio do principal prêmio, onde um senil Warren Beaty se atrapalhou com um papel entregue de forma errada a ele.

O politicamente correto atrapalha qualquer discussão e consagração. 'Isto não pode', ou 'Não fale disso', ou 'Tome cuidado ao comparar' etc. A atitude da Academia de nos últimos anos de dividir os Oscars entre 4 ou 5 longas-metragens serve somente com o fim de passar a mão na cabeça dos produtores. Não é possível que todos os filmes são muito bons ou são todos bem ruins, e no meio deles não sobressaia pelo menos um par de ótimos trabalhos.

Na temporada passada, 'Um Limite entre Nós' e 'Sob a Luz do Luar' ficaram pelo menos um patamar acima dos demais. 'La la Land' foi de longe o pior dos 9 concorrentes, na minha opinião.

Sem carisma, com uma dupla de protagonistas fraca e apenas com fotografia elogiável, a fita abocanhou 6 estatuetas. Denzel Washington, por 'Um Limite entre Nós' deveria ter levado o Oscar de ator, que foi ao irmão de Ben Affleck, Casey, por 'Manchester à Beira Mar', intenso, dramático e pesado.

Donald Trump virou presidente e o que tivemos foram chistes ingênuos e sem graça do apresentador e uma carta lida pelo diretor de 'O Apartamento', ganhador de filme estrangeiro. Velhos tempos em que Billy Crystal dominava a cena como mestre de cerimônia. Se disseram que em 2016 a festa foi racista, por deixar de fora os negros, na de 2017 eles 'corrigiram' isto. Nada a ver.

É preciso dar o prêmio aos melhores e ponto encerrado. Se forem todos brancos, amarelos, negros, vermelhos, no importa. Aí paira o politicamente correto que escrevi acima. Torna-se enfadonho. O show fica pobre e vazio de lendas vivas. Do lado feminino, quem bate Meryl Streep, por exemplo? No masculino, temos a geração de 60 anos: Tom Hanks, Denzel, Tim Robbins, Sean Pean etc. E a dos 80: Clint Eastwood, Jack Nicholson, Robert Redford, Warren Beaty, Steven Spielberg quase lá.

Em 2018 o Oscar chega aos 90 anos. Tomara que a roda gire para o lado certo, o do mérito. Querer impor, mesmo que de forma velada e escamoteada, cotas também ao prêmio, é dose a leão. Vamos aguardar.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


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