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Publicado em 17/02/2017 às 10h23
Placas raiz e nutella


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Não se faz mais pizza de calabresa como antigamente. O mundo moderno está desvirtuado até em matéria gastronômica. Os ímpios cometem todo tipo de mau-gosto – a calabresa escondida por baixo da muçarela ou, pior, recheio só de calabresa, difícil de suportar.

A autêntica redonda de calabresa é aquela que vem com as rodelas fininhas, cortadas triangularmente e espaçadas, deitadas sobre uma cama derretida de queijo, para sair do forno com as pontas esturricadas, combinação perfeita com o molho de tomate subjacente. 

Pois também não se faz mais placa com nome de rua como antigamente, o prezado leitor já notou? As de antanho, eram de ferro robusto, pintura esmaltada, parafusada firmemente pela municipalidade no muro externo das residências de esquinado. Ah, aquelas letras garrafais brancas contrastadas com o fundo azul-marinho duravam para sempre.

Alguns bairros deveriam dar graças ao bom Deus por serem tão esquecidos. Veja o caso do Jardim São José, ainda tão pródigo em placas que a rapaziada de hoje chamaria de ‘raiz’ e não ‘nutella’, com destaque para as da Rua Dr. Luiz Pereira Barreto (no cruzamento com a Avenida São Francisco) e Avenida São Matheus (quase esquina com a São Mathias).

As placas do século passado eram verdadeiros registros históricos e fontes culturais, com legenda de antonomásias e epítetos: ‘Rua Santos Dumont – Pai da Aviação’, ‘Praça Prudente de Moraes – Presidente da República’, e por aí afora. Muitas ruas de jacareienses homenageados mereciam tal rodapé, como José Medeiros (benemérito afonsino), Doutor Waldemar Berardinelli (médico que descobriu a Síndrome de Berardinelli- Seip) e Corneteiro Jesus (herói da Guerra do Paraguai). Em vez de se limitar a perpetuar nomes, as placas antigamente serviam para destacar exemplos positivos às novas gerações.

Já as placas atuais são de metal fininho amassável, pintura desbotável, nomes inexplicáveis e letras adesivadas que se soltam com o tempo, esturricadas ao sol como as pontas de calabresa das melhores pizzas. São encaixadas em hastes sutis, com a companhia a noventa graus de outra placa ‘nutella’, compartilhamento que confunde o transeunte incauto nos postes tortos. Substituímos a placa eterna pela troca anual de placa.

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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


E-mail do autor: joseluizbednarski@gmail.com
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