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Publicado em 31/03/2017 às 10h58
Precisamos falar sobre Kevin


RODRIGO ROMERO

O diretor indiano M. Night Shyamalan, 46 anos, começou a carreira no cinema já com o estrondoso sucesso de ‘O Sexto Sentido’ (1999). Depois, emendou com ‘O Corpo Fechado’ (2000), outro estouro. Mas a partir daí, o rumo seguiu como um motorista bêbado na estrada. A sétima arte não via mais as produções reluzentes e ele comandou obras medianas e fracas, como, por exemplo, ‘Sinais’ (2002), ‘A Vila’ (2004), ‘A Dama da Água’ (2006) e ‘Fim dos Tempos’ (2008). Parecia que Shyamalan estava atordoado, soberbo, no estilo ‘nada mais me atinge’.

Os blockeds soavam escritos por adolescentes. Era esquisito ver os trabalhos dele, sinceramente. Com ‘Fragmentado’, que estreou semana passada, tudo voltou, digamos assim, ao normal. A sensação foi a de que Shyamalan cumprimentou de novo aquele público fã de seu trabalho, como se dissesse a cada um: ‘Obrigado por me esperar recuperar todas as minhas características essenciais’.

O personagem Kevin Wendell Crumb, na minha visão, entra no rol das figuras inesquecíveis do cinema, ao lado de Baby Jane (Bette Davis em ‘O que Terá Acontecido a Baby Jane?’, 1962) e Jack Torrance (Jack Nicholson em ‘O Iluminado’, 80), a recordamos o mínimo. É neste nível. O desempenho do ator James McAvoy é algo que não vemos todos os dias. Ele é Kevin, sujeito de 30 e poucos anos que sofre duma espécie de esquizofrenia. Desenvolveu 23 personalidades totalmente diferentes uma das outras.

Em determinado dia, sequestra três adolescentes: Casey (Anya Taylor-Joy), Claire (Haley Lu Richardson) e Márcia (Jéssica Sula). Na teoria dele, são pessoas sem o sofrimento que o ser humano precisa passar para sobreviver ao mundo. Presas, o trio lida com todos os ‘eus’ de Kevin: um estilista de moda perturbado, a criança travessa, a senhora religiosa, o homem com mania de limpeza etc. O estilista se consulta com a psicóloga Karen (Betty Bucley, de ‘Fim dos Tempos’), que sabe da história de Kevin.

Há senhas aí. Shyamalan, que também escreveu o roteiro, é o maquinista da engrenagem ao espectador. As reviravoltas que a fita possui são labirintos nos quais você tem de averiguar qual informação serve, qual não... O clima de alta tensão conduz a trama, cujo final faz o verdadeiro fã do cineasta dar pulos de excitação na poltrona. Corra ao cinema, porque não se sabe até quando fica em cartaz. Tomara, desde já escrevo isto, que seja lembrado no Oscar – 2018.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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