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Publicado em 23/06/2017 às 14h19
Queimando Fumo


JOSÉ LUIZ BEDNARSKI

Na semana que passou, acumulei um cargo criminal. De vez em quando faço isso. O salário aumenta, mas não dobra como o serviço. Assim, eu ganho um pouco a mais e o Estado paga só um acréscimo, em vez de remunerar dois promotores. Sinto-me útil em ajudar na contenção de despesas públicas.

Foi uma semana bem movimentada. Não houve rotina. Precisarei de algumas colunas para contar tudo. Começarei do início, segunda e terça-feira, dias de queimar um fuminho. Ou seja, participar da incineração oficial de drogas, como manda a lei.

A tarefa é periódica. Conta com a colaboração voluntária da quarentona Cerâmica Jacareí, na lamacenta ou poeirenta (a depender da chuva ou estiagem) vicinal que liga a Estrada Velha à Rodovia Nilo Máximo. Manda a lei que um promotor e a vigilância à saúde acompanhem tudo.

A missão começa na véspera, com a pesagem dos sacos, conferência do conteúdo nefando e checagem dos lacres. No total, 270 kg de droga (180 de cocaína e 90 de maconha). Material avaliado em mais de R$ 2 milhões. Para mim, sem valor algum.

O dia da destruição começa cedo. Todos devem estar a postos às seis e meia da manhã. Calcei minhas botinas de enfrentar terra, saí de casa em jejum e fui o segundo a chegar. Fui recepcionado por um investigador de toca ninja. Dali a pouco aterrissavam delegado e escrivão.

A droga ocupou o espaçoso porta-malas da caminhonete policial e ainda uma parte do banco de trás. A cocaína é fétida. Mistura de amônia com camisa de jogador de futebol encharcada de suor ao final do jogo e guardada sem lavar durante um dia no armário.

Fui na frente, no banco do carona. O cheiro forte da química irritou minha fronte. Não me serviu de consolo estar em posição invejada pelos drogados da cidade, com o carro carregado de tanta erva e pó. Outra viatura seguia na escolta.
A operação foi discreta. Os agentes da lei estavam relaxados. Era muito cedo. Bandido não é gente disposta e odeia labutar. Pairava a certeza de que não haveria incidentes de percurso.

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Comentários (3)

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Luana Gomes   3 semanas atrás
Promotorzinho fake
Daniel Rosa   4 semanas atrás
Fiz concurso para segurança,depois segurança foi terceirizada,trabalho na biblioteca,mas a prioridade é pilotar a van oficial,salário defasado junto com o vale coxinha.Mas não faço parte dos milhões de desempregados,graças a Deus e a mim.
Daniel Rosa   4 semanas atrás
Fiz concurso para segurança,depois segurança foi terceirizada,trabalho na biblioteca,mas a prioridade é pilotar a van oficial,salário defasado junto com o vale coxinha.Mas não faço parte dos milhões de desempregados,graças a Deus e a mim.
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Coluna assinada pelo Promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Bednarski. Uma abordagem apartidária, com discussão aberta dos assuntos de interesse geral; o amadurecimento paulatino da cidadania, a força da população em diálogo com órgãos independentes representativos, como MP, Defensoria Pública e outras instituições criadas ou fortalecidas a partir daConstituição de 1988.


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