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Publicado em 14/06/2017 às 16h20
Sombrio, no mínimo


RODRIGO ROMERO

‘Animais Noturnos’ foi o grande achado de 2016. Escondido nos catálogos e prateleiras, saltou para os nossos olhos quando o ator Michael Shannon recebeu indicação ao Oscar de melhor coadjuvante. A fita acumula duas histórias. Elas se intercalam a partir do momento em que Susan (a sempre bela Amy Adams) recebe em casa a impressão do livro ‘Animais Noturnos’, escrito por Edward Sheffield (Jake Gyllenhaal).

Susan agora está bem de vida e casada com Hutton (Armie Hammer), mas a união anda mal. Porém, ao manusear as páginas recebidas, o roteiro se transforma em flashbacks que soam ora como falsos, ora como um instante congelado na lembrança gélida da moça. O que dali é de fato a verdade?

O livro a engole no ato: a família Hastings (J.Gyllenhaal incluso, agora noutro personagem) se vê em apuros quando, durante à noite, é interpelada por um grupo de marginais. Há a tragédia aí e talvez o desejo de vingança. O que você faria por sua família? O teor do livro de Sheffield deixa sua ex-esposa boquiaberta.

Como lidar com uma situação de desespero? Enquanto o atual companheiro está fora, Susan devora as páginas. Não consegue dormir. Ela lê que os Hastings penam para salvar a existência. O diretor de ‘Animais Noturnos’ é Tom Ford, que comandou ‘O Direito de Amar’ (2009). Em suas mãos, o longa-metragem de 2016 se torna fatal.

Ele tem talento e discernimento suficientes para arrancar do elenco interpretações na medida certa. A fotografia é arrasadora e a trilha sonora se encaixa perfeitamente. Assisti ao filme em janeiro e me lembro da sensação um tanto claustrofóbica que senti, mesmo sendo o enredo sendo num descampado.

O jogo da culpa versus pavor se instala no filme. O comportamento de Susan se altera a cada cena. Na verdade, a autêntica protagonista neste caso é a mente da moça. É no mínimo sombrio o espetáculo de ‘Animais Noturnos’. Ford conhece sua função e não brinca de fazer cinema. Após ‘O Direito de Amar’, um filme forte também, joga na mesa as cartas da compaixão. Qual a necessidade nossa, a do âmago? A revisita ao passado, às vezes, tende a ser traumática. Susan experimenta o gosto disso e o seu paladar fica adoçado.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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