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Publicado em 13/04/2017 às 15h36
Uma sensação ruim


RODRIGO ROMERO

O livro ‘A Cabana’, um dos best sellers da década passada, chegou ao cinema banhado por atuações e direção regulares. O longa-metragem baseado nas páginas de William Young estreou há alguns dias e arrebatou corações e mentes desejosos de compreender os limites da crença. É como se fossem subir os degraus de uma escada.

A cada novo passo, a fita nos mostra algo mais lacrimejante, colado nisto determinados clichês desnecessários para prender o espectador. Se você não sabe do que se trata esta trama, é melhor preparar o lenço quando for ao cinema: Mack (Sam Worthington) é casado com Nan (Radha Mitchell) e tem 3 filhos.

Num passeio da família, uma tragédia acontece. A partir daí, quase desestruturado física e emocionalmente, Mack, com traumas de infância, procura refúgio na religião. Ele se encontra com ‘Papai’ (Octavia Spencer), um ser superior, e deste instante em diante qualquer informação dada será uma espécie de spoiler torto.

O diretor Stuart Hazeldine havia comandado um filme em 2009, sem sucesso. Agora pegou esta ‘bomba’. Sai-se bem por fazer o tradicional ‘arroz com feijão’. ‘A Cabana’ não compromete esteticamente porque o público, acredito, prestará mais atenção na parte emocional, ingrediente primordial. A quem é fã de ‘Amor Além da Vida’ (1998), ‘A Cabana’ tem impacto semelhante. É óbvio que o teor espiritual é distinto – um tem a textura católica, o outro segue mais ou menos a teoria kardecista. Mas o choro é indiscutível.

Aliás, apelas a calamidades com cunho pessoal é tiro certo na perplexidade do comprador de ingresso. E se envolver criança, como é o caso destas duas películas, mais ainda. Não à toa, a fotografia e a trilha sonora ajudam bastante neste sentido.

Na obra sob a batuta de Hazeldine, a adaptação à telona do livro, que no Brasil vendeu mais de 4 milhões de exemplares, virou o enorme melodrama com ares de novela mexicana, onde exagerar parece ter sido a ordem distribuída. A participação da brasileira Alice Braga soa como refinação falsa, mesmo sendo dela o papel de Sabedoria.

A produção poderia disfarçar, pelo menos um pouco, toda a propaganda religiosa e transformar a fita em algo mais aceitável. A sensação ruim que fica é a de que realmente não tinha como – seja por falta de qualidade mesmo ou preguiça de vontade.

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Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
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