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Publicado em 29/09/2017 às 16h52
A surda voz dos esquecidos
A Redação / Diário de Jacareí

Um evento da Secretaria Municipal de Educação, encerrado na sexta-feira (29), teve resultado surpreendente. Trata-se da Semana Literária da EJA (Educação de Jovens e Adultos). Aconteceu de 25 a 29 de setembro na Biblioteca Macedo Soares e mobilizou cerca de 200 alunos que não tiveram oportunidade de frequentar escola.

A quantidade é surpreendente por si só, e a essência mais ainda: havia pessoas de 50  a 70 anos de idade que não sabiam escrever. As que sabiam um mínimo eram incapazes de interpretar um texto curto escrito como “a primavera chegou sem avisar nem trazer chuva”.

A finalidade da semana literária faz parte do projeto de tornar Jacareí uma cidade leitora, daí o encontro na biblioteca. E começando pela biblioteca infantil. Na verdade, o termo ‘biblioteca infantil’ é impróprio e limitativo; faz com que adultos, que ainda não conseguem ler um livro que foi escrito pensando na criança, sintam-se diminuídos em ler ‘O gato Juarez’, da escritora jacareiense Marisa Miras, ou ‘Aratama’, de Dinamara Osses. Se a classificação fosse ‘livro de primeiras leituras’ a barreira seria menor.

O objetivo de livros de poucas letras com predomínio da ilustração colorida é o de fixar o significado da palavra escrita na mente de quem lê, seja leitor adulto ou infantil.

Apesar disso, o que quase não se viu foi alguém externar algum sinal de aborrecimento. Foi participação generalizada dos iniciantes nas letras e até com manifestações literárias ou poéticas, como uma senhora de 62 anos que contou ‘um causo’ para a plateia, feito que ela jamais fizera antes.

O que marcou, foi lembrar-nos que existe um ‘Brasil’ silencioso e sofrido à espera de quem lhe estenda a mão e lhe mostre que sempre é tempo para começar. Por exemplo, semanas antes, numa prévia feita num asilo, a contadora de histórias relatou fatos sobre o Mercado Municipal. Quando terminava, um interno idoso pediu a palavra e disse que a jovem havia se esquecido dos carroceiros; e contou a todos histórias dos carroceiros do mercadão.

Portanto, melhorar o Brasil talvez seja dando voz aos esquecidos; ou melhor, para o mundo: há duas refugiadas haitianas cursando nossa EJA.

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