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Publicado em 25/02/2014 às 12h01
Carnaval de Improvisos

A redação / Diário de Jacareí

Não é a toa que nós brasileiros carregamos o estigma de sermos mal organizados e sempre optarmos pelo péssimo hábito do ‘jeitinho’ para improvisar e conseguir cumprir com as obrigações. E não se trata de um ‘dom artístico’ que acrescenta conhecimento e eleva o espírito, mas de um modo de pensar e agir que corrompe e se deixa corromper, legitimado muitas vezes pelos próprios agentes públicos em suas instituições de poder.

Vejamos, então, o caso das licitações públicas da Fundação Cultural de Jacarehy para a organização do Carnaval deste ano em Jacareí: o fato de a autarquia ter deixado a conclusão dos certames para menos de uma semana do início da folia é a demonstração tácita de que o poder público municipal não foi competente o suficiente para produzir um ‘antídoto’ administrativo capaz de impedir a proliferação do ‘vírus do jeitinho’, disseminado pela desorganização do setor responsável pelo evento.

As perguntas sobre os motivos da falta de planejamento são justamente as respostas que explicam essa desorganização, com licitações feitas às pressas e ao tropeço de improvisos, com editais elaborados sem o mínimo de especificações técnicas que preservem o erário da ação de empresas oportunistas, que se utilizam das licitações públicas para sobreviver em um mercado de serviços marcado pela desqualificação da mão-de-obra, baixos salários e pela precarização dos equipamentos.

Antes de tudo é preciso elaborar editais que contemplem o detalhamento técnico daquilo que se pretende contratar para que seja possível selecionar, por meio de especificações exclusivas, empresas com recursos técnicos e humanos capazes de fazer cumprir as exigências contratuais. Entretanto, de nada adiantará a concepção de documentos criteriosos se estes não vierem sucedidos de um planejamento prévio de tempo o suficiente para a execução das etapas de uma licitação, desde o recebimento das propostas, definição dos vencedores, inclusive com a previsão para o julgamento de recursos por parte dos demais envolvidos no certame.

Mais uma vez, e infelizmente, os processos licitatórios da administração municipal são marcados pelo atropelo de prazo durante o andamento do certame, fato que prejudica ainda mais a credibilidade administrativa da Fundação Cultural já marcada por questionamentos a respeito de suas finanças pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

Pelo visto, a prática de nossos gestores em relação à transparência dos serviços públicos ainda é o da perpetuação do improviso e do ‘jeitinho’, postura que leva para a avenida a imagem de uma instituição desacreditada pelo Carnaval de Improvisos.

É a nossa opinião.

 

 

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