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Publicado em 26/05/2017 às 14h52
Pedaladas morais e corrupção ‘light’

A Redação / Diário de Jacareí

“Não existe governo corrupto em nação ética, e não existe nação corrupta quando um governo é transparente e democrático”, repete constantemente o filósofo brasileiro Leandro Karnal a um Brasil que se nega escutá-lo. Segundo ele, “a corrupção é um mal social” em que um ato desonesto puxa outro numa escala sem fim. Karnal conta que, como professor, há 33 anos recebe atestado médico falso de aluno que perdeu prova, por exemplo, dentre outras maracutaias do jeitinho pátrio.

Membros do Ministério Público Federal, responsáveis pela Operação Lava Jato, disseram que os depoimentos da dupla Wesley e Joesley Batista os havia deixado “estarrecidos”. Se a corrupção brasileira dá azia em bicarbonato, imagine o que causa em nós indefesos expectadores.

Entretanto, o perigo está mais embaixo. Já se percebe certa indiferença quando a corrupção bate à porta do município. Há indícios de práticas semelhantes em Jacareí. Embora a metástase da corrupção nacional não tenha sido diagnosticada, há fatos menores denunciados. Tão menores que são tidos como coisa de amadores; ‘corrupção fofa’, diria a colunista Tati Bernardi (Folha), quando comparados ao profissionalismo do primeiro time. Por exemplo, os desvios da Fundação Pró Lar investigados pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Legislativo ou a suposta cobrança de ‘dízimo’ de um vereador a membro de seu gabinete.

A indiferença também abre espaço para pedaladas morais. Veja a aprovação polêmica, na sessão de quarta-feira (24), que concede 50% sobre o salário do advogado da Câmara que optar por ‘dedicação exclusiva’, ou seja, não atuar em causas particulares. Esse profissional já opta por exclusividade ao assinar contrato de trabalho como efetivo na Câmara. Não há sequer espaço temporal para que ele exerça advocacia fora do horário de expediente da Casa.

Todavia, não se ouviu nenhum ‘ufa!’ (de aprovação) para a CPI ou um ‘peraí!’ (de dúvida) pela aparente incoerência na remuneração extra dos advogados efetivos na discussão do projeto de reforma administrativa da Casa (lei na Coluna Plenário). Nenhum munícipe mais atento, movimentos populares ou entidade dita fiscalizadora levantou a questão. Talvez pela preocupação em descobrir em qual churrascaria nova-iorquina o casal Batista vai almoçar neste fim de semana.

É a nossa opinião.

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