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Publicado em 30/06/2017 às 14h07
Tantos ainda devemos muito a poucos

A Redação / Diário de Jacareí

Imagine você ter um filho de 20 anos cuja maior preocupação é paquerar as meninas e arranjar boa desculpa para justificar não ter ainda tomado um rumo na vida. De repente, o rapaz recebe uma convocação do Exército para seguir rumo à Europa. Vai participar da Segunda Guerra Mundial.

Em 1945, mais de 150 mães e pais de jovens jacareienses sentiram na pele o que é entregar um filho ao desconhecido, com expectativa de matar para não morrer e nenhuma garantia de que voltariam a vê-lo com vida.

Dá para se ter ideia da angustia dessas pessoas, mas é impossível imaginar o que passa pela cabeça do escolhido. Por isto, “tantos ainda devem muito a tão poucos”, se imaginarmos o mal de que o futuro livrou-se graças ao heroísmo dessa rapaziada.

Um desses valentes foi o jacarehyense Nelson Guedes que morreu domingo passado. Era o último pracinha de Jacareí ainda vivo. Foi sepultado em Santo André na região onde vivia desde os 70 anos, quando se mudou de Jacareí. Guedes iria completar 96 anos dia 3 de julho, um dia depois do qual agora será celebrada missa de sétimo dia para ele.

“Eu era ‘molecão’ de 11 anos quando estourou a revolução de 1932”, contava ele a seu filho. Guedes testemunhou a movimentação da soldadesca paulista em Suzano (Grande São Paulo), onde visitava parentes. Viu transitarem por lá trens carregados de soldados, e seus tios solteiros se esconderem “no mato” para não serem convocados. Mas, da Guerra que estourou em 1939 ele, que serviu Tiro em Jacareí, não sabia praticamente nada até ser convocado.

Merecedor de todas as honras civis e militares, Nelson Guedes vivia esquecido dos jacareienses a ponto de outro soldado, José Marson, ter sido sepultado militarmente ano passado como o último dos pracinhas de Jacareí ainda vivo. A gafe ressalta a importância da revitalização da memória da cidade, ora empreendida pelo governo Izaías Santana, com vistas ao Arquivo Histórico, criação do Conselho do Patrimônio Histórico, recriação do Museu de Antropologia e fomento de nossas heranças culturais. Tudo isso, sem contar os 50 anos de vida que o Diário de Jacareí irá comemorar em 2018! Notícia que chega em boa hora, embora não corrija injustiças já praticadas.

É a nossa opinião.

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