Publicidade
Quinta-feira, 13 de Maio de 2021 | você está em »principal»Blogs»Coisas de Cinema
Publicado em 16/04/2021 às 14h04
Dois escanteados


RODRIGO ROMERO

Vocês que acompanham o Oscar devem se lembrar do evento de 1999. Elia Kazan (1909-2003) foi ao palco a receber a estatueta pelo conjunto da obra. Ao se postar ao microfone, o que se ouviu foi misto de vaias (que estavam mais fortes - Ed Harris, Nick Nolte e Holly Hunter, por exemplo, cruzaram os braços - Sean Penn, notório esquerdista, foi a público declarar sua oposição à Academia em premiá-lo) e alguns aplausos (um que bateu palmas foi Martin Scorsese).

Ao ver aquilo, não entendi. Rubens Ewald Filho, o eterno guru do Oscar, explicou: Kazan, ex-membro do Partido Comunista do EUA entre 1934-36, denunciou 8 colegas ao Comitê de Investigações de Atividades Antiamericanas em 1952, no Macarthismo. Defensores dele consideraram absurdo dizer que, pessoalmente, Kazan, que na década de 50 revelou Marlon Brando e James Dean, tenha destruído carreiras: os nomes que forneceu já estavam na 'lista negra'. Outros acreditavam que, ao dedurar, tacitamente apoiou o macarthismo.

Essa 'exclusão' ou 'omissão' de determinados artistas não é novidade por lá, bem como aqui também. O diretor e ator austríaco, e judeu, Erich von Stroheim (1885-1957 - o mordomo da enlouquecida Norma Desmond, interpretada por Gloria Swanson em 'Crepúsculo dos Deuses', 1950), foi outro que penou a conseguir emprego entre os anos 10 e 30 do século passado.

Aos admiradores, era vanguardista, por expor nas telas, nas produções, temas realistas demais à época, como traições e desquites. Ultrapassava orçamentos e tinha de fazer cortes nas longas durações dos trabalhos, o que rendia bate-bocas com produtores. Dirigiu 'Maridos Cegos' (1919), 'Esposas Ingênuas' (1922), 'Ouro e Maldição' (1924 - obra-prima), 'A Viúva Alegre' (1925) etc.

Por conta dos excessos, tanto financeiros como de roteiros que 'não estavam de acordo' com as regras da sociedade, foi escanteado pela classe, o que liquidou sua carreira como diretor. Entre as décadas de 1940-50, foi convidado a pequenos papéis, como 'esmola', e presenteou o público com atuações sublimes, como em 'Crepúsculo dos Deuses'. Esse tipo de preconceito velado, mudo, é explicado pelo filósofo Olavo de Carvalho: é a tese dos caranguejos no balde. Semana que vem contínuo neste tema.

Comentários (0)

ATENÇÃO!

Os comentários publicados neste espaço são de responsabilidade de seus autores e não expressam
necessariamente a opinião do Diário de Jacareí


Por favor, faça o login antes de comentar

13 MAI
Publicidade
Publicidade
Notícias
facebook
Artigos
Perfil do Blog
Coisas de Cinema

Rodrigo Romero é jornalista desde 2001. Passou por Diário de Jacareí, Diário de Mogi e assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Jacareí. Em 2008 foi para a TV Câmara Jacareí, onde até hoje atua como apresentador e repórter. Escreve há quase dez anos, semanalmente, a coluna 'Coisas de Cinema' no Diário de Jacareí.


E-mail do autor: rodrigoromeropl@ig.com.br
Arquivo
Publicidade
Publicidade
14/01/2021
Santos e Palmeiras disputam a final da Taça Libertadores no dia 30 de janeiro, às 17h, no Maracanã. Na sua opinião, qual dos dois será o campeão?

Nenhuma enquete encontrada!

Logos e Certificações: