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Publicado em 11/05/2018 às 14h55
Mães
A Redação / Diário de Jacareí

Madrugada de segunda-feira (7). No ‘Espaço Liberdade’, área de lazer vizinha ao fundo da  Santa Casa de Jacareí, a algazarra corre solta. Ninguém de sono leve consegue dormir nas cerca de 300 residências ao redor. Chamar a PM ou Guarda Civil Municipal, nem pensar; estão sempre às voltas com “assuntos mais graves” e não há muito que fazer porque a maioria dos bagunceiros é menor de idade.

Às 3 da madrugada a coisa fica feia. Uma frágil mãe, grávida, chega à praça de bicicleta (!) e aos gritos, apesar da voz mais fraca que a dos demais, incrivelmente consegue impor-se, calar os cerca de 20 indivíduos barulhentos e restaurar o silêncio. Ela está ali para resgatar dois filhos adolescentes e o companheiro que participavam da bagunça.

A mãe chama-os à responsabilidade naquele início de segunda-feira. Perante a resistência do trio em ouvi-la, parte para argumentação mais contundente (grita certos detalhes íntimos): conta que, mesmo grávida, costuma levar surras do homem ali presente. Funcionou. Em menos de 15 minutos o silêncio volta a reinar na madrugada. Os bagunceiros somem.

Horas antes, o programa ‘Fantástico’ (Rede Globo) apresentara várias ‘pegadinhas’ que simulavam certa menor de idade, num shopping, sendo induzida a sair com um adulto que acabava de conhecer, seduzida por um encontro via internet em que ele dissera ter 16 anos; a maioria das pessoas que se puseram em defesa da menina (em repetições da mesma pegadinha) eram mães; uma quase ‘pulou’ no pescoço do ‘criminoso’.

No recente incêndio e desabamento do prédio invadido na Capital, descobrimos mães que vivem exploradas por espertalhões em locais inabitáveis agarradas na ânsia de sobreviverem, ela e filhos, com migalhas urbanas. Foi preciso a tragédia para alertar as autoridades sobre as condições sub humanas que vivem essas mães.

Seja pelo grito nas madrugadas de ‘resgates’ em Jacareí, seja espantando pedófilos em shoppings dos grandes centros ou driblando aproveitadores de suas misérias nos prédios invadidos, milhares de mães anônimas sobrevivem movidas apenas por amor às suas precárias famílias. Tiram forças do quase nada e, de lambujem, ainda garantem ao próximo o direito de dormir – mesmo que por uma única noite. Fibra de mãe.

É a nossa opinião.

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