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Publicado em 29/12/2017 às 09h49
Quase 70 mil crianças e adolescentes estão na espera por cirurgias eletivas
A Redação / Assessoria de imprensa
Ilustra??o
Ilustração
O n?mero representa pouco menos de 10% do tamanho da fila de cirurgias eletivas represadas no Pa?s

Cerca de 70 mil crianças e adolescentes de zero a 19 anos estão na fila de espera por uma cirurgia de amigdalas, adenoide, postectomia, correção de estrabismo e outros procedimentos conhecidos como eletivos. O número corresponde ao retrato da assistência informado oficialmente pelas secretarias de saúde de cinco estados e quatro capitais brasileiras, e foram analisados pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Os dados contabilizam pedidos de cirurgias encaminhados até junho de 2017. Na relação, há solicitações que desde 2001 aguardam por um desfecho. O número representa pouco menos de 10% do tamanho da fila de cirurgias eletivas represadas no País. Segundo as informações coletadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), há 904 mil casos desse tipo no Brasil, resultado da soma dos números disponibilizados por 16 estados e 10 capitais.

Esse conjunto de informações foi analisado pela SBP que conseguiu fazer essa triagem por faixa etária apenas nos estados de Ceará, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rondônia e Tocantins. Também foi possível fazer a separação nos formulários encaminhados por quatro capitais – Aracaju (SE), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). As planilhas encaminhadas pelos outros estados e municípios não permitiam essa identificação, o que sugere que o número de crianças e adolescentes sem respostas para seus problemas cirúrgicos deve ser bem maior que os 68 mil relatados.

Para a SBP, apesar de a amostra ser pequena, os números não deixam de ser alarmantes. “Estamos falando de uma população que deveria ser tratada como prioridade pelo governo. Ao relegar essas crianças e adolescentes em filas longas, os gestores estão expondo-os a doenças e comprometendo sua qualidade de vida. É desumano com eles e com suas famílias e uma irresponsabilidade para com o País”, denuncia a presidente da SBP, a médica Luciana Rodrigues Silva.

Entre a população infanto-juvenil, as áreas que mais recebem demandas para cirurgias eletivas são ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia e cirurgia vascular. Das 68 mil crianças identificadas pela SBP, 36 mil têm menos de 10 anos e quase mil sequer completaram um ano de idade.

Em maio deste ano o Ministério da Saúde editou uma norma que cria a Fila Única de Procedimentos Cirúrgicos Eletivos no âmbito do SUS, inclusive com incentivo financeiro para estados e municípios que aderirem à estratégia nacional.

A ideia é adotar valores diferenciados da chamada Tabela SUS para alguns procedimentos e, assim, reduzir o tempo de espera por cirurgias por meio do atendimento de rotina ou de mutirões. No entanto, até o momento, a Fila Única do SUS não foi anunciada pelo Ministério da Saúde, o que motivou o CFM e a SBP a conhecerem a situação das crianças e adolescentes em cada um dos estados.

Na maioria dos estados e capitais, os gestores responsáveis pela administração da fila têm dados parciais sobre a demanda reprimida ou nem sequer os possuem. Em muitos casos, essa responsabilidade pela regulação é transferida aos hospitais, que definem suas próprias prioridades.

Minas Gerais lidera lista de
pacientes na fila de espera

Minas Gerais é o estado com o maior volume de pacientes declarados na fila de espera por cirurgias eletivas: 53.653 procedimentos em 705 municípios mineiros, segundo informou a Secretaria Estadual de Saúde. Só em 2016, eram 30.335 crianças e adolescentes esperando por atendimento. Até junho deste ano, outras 23.318 entraram com pedido no Sistema de Regulação do Estado.

Em Minas, o procedimento que possui o maior número de demandas é amigdalite ou adenoide (15.466). A idade dos pacientes na fila de espera foi dividida entre menores de um ano (648); 1 a 4 anos (10.221); 5 a 9 anos (17.719); 10 a 14 anos (12.310); e 15 a 19 anos (12.755).

CAPITAL PAULISTA – A maior e mais populosa cidade brasileira tem 3.750 cirurgias eletivas na fila de espera, algumas delas com entrada em 2014. As faixas etárias dos pacientes são: menores de um ano (21); 1 a 4 anos (656); 5 a 9 anos (1.021); 10 a 14 anos (1.058); e 15 a 19 anos (994). A maior parte das cirurgias infantis envolve a ortopedia, de acordo com os dados enviados pela Secretaria de Saúde da capital.

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